MEUS PARCEIROS

sábado, 12 de agosto de 2017

DIA DOS PAIS E DO PRESBITERIANISMO

Segundo nosso velho amigo dicionário, pai é aquele que tem um ou mais filhos, é o genitor ou que exerce as funções de pai. Significa, então, dizer que um homem pode ser o genitor sem exercer as funções de pai ou pode exercer as funções de pai sem ter sido o genitor. A paternidade é uma dádiva de Deus. Aqueles que têm filhos, biológicos ou adotivos, devem se esforçar para exercê-la com gratidão e responsabilidade. É maravilhoso exercer uma função utilizada por Deus para revelar-se ao homem. Deus é pai, e como pai o seu coração está voltado para amar, perdoar e amparar o homem.

Conta-se que a origem do Dia dos Pais é semelhante a do “Dia das Mães”. Em ambas datas a ideia inicial era honrar aqueles que deram suas vidas em benefício dos filhos. Em 1909, em Washington, Sonora Louise Smart Dodd, ao ouvir um sermão dedicado às mães, teve a ideia de celebrar o Dia dos Pais. Ela queria homenagear seu próprio pai. Em 1898 sua esposa morreu ao dar a luz ao sexto filho. Ele criou sozinho o recém-nascido e outros cinco filhos. O primeiro Dia dos Pais norte-americano foi comemorado em 1910 no dia 19 de junho, data do aniversário do pai de Sonora. No Brasil, a ideia de se ter um dia dedicado aos pais partiu do publicitário Sylvio Bhering e foi festejada pela primeira vez no dia 14 de agosto de 1953. Por motivos comerciais, a data foi alterada para o 2º domingo de agosto, ficando diferente da americana e europeia.

Por outro lado nosso amigo dicionário ensina também que pai é o criador, o fundador de uma doutrina, escola, ou instituição. Sendo assim o presbiterianismo brasileiro tem um pai. Seu nome é Rev. Ashbel Green Simonton, missionário norte-americano, que foi o fundador da Igreja Presbiteriana no Brasil. Simonton estudou em Princeton e foi ordenado ao sagrado ministério no dia 18 de junho de 1859 e em 12 de agosto, do mesmo ano, aportou na cidade do Rio de Janeiro. Casou-se em 1863, mas no ano seguinte sua esposa faleceu. Simonton foi o pai espiritual de muitas pessoas, foi o pai do presbiterianismo brasileiro.

Neste segundo domingo de agosto, ao comemorarmos o Dia dos Pais, devemos orar para que eles exerçam a paternidade com responsabilidade segundo o caminho apontado pelo Pai Celestial. Devemos também agradecer a Deus pelos missionários americanos que deixando o conforto da terra natal, vieram ao Brasil para pregar a boa notícia da salvação. Devemos louvar a Deus pelos 158 anos do presbiterianismo em nosso país.

Soli Deo Gloria!
Rev. Ezequiel Luz

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

VAMOS MEXER O CALDO

O Projeto de Lei 4850/2016 (10 Medidas Contra a Corrupção) que foi protocolado como matéria de iniciativa popular, foi, na verdade, uma proposta elaborada pelo Ministério Público Federal (MPF) do Paraná que contou com apoio popular através de coleta de assinaturas. 

Não sei como fazer, mas quero solicitar o MPF do Paraná que elabore um projeto exigindo uma auditoria externa nas contas da Previdência Social, para saber se o rombo anunciado pelo governo é de fato resultado de pagamento de benefícios, ou se o dinheiro foi desviado. Mesmo porque os recursos vêm da contribuição do trabalhador, do empregador, do Confins, da CLL, do PIS-Pasep e de receitas das loterias. Esse dinheiro é do trabalhador, é para financiar os benefícios pagos pelo INSS e não para outras finalidades.


Alguém pode me orientar como fazer esse pedido ao MPF? Ou, então, vamos fazer uma campanha pelas redes sociais para pressionar os que podem pedir uma auditoria externa nas contas da Previdência Social.


Ezequiel Luz

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

CHORAI COM OS QUE CHORAM

Trinta de novembro de 2016, 21h45, horário de Brasília. No estádio Atanásio Girardot, na cidade de Medelín, deveria acontecer o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana, entre o Atlético Nacional e a Chapecoense.  O estádio estava lotado, além de milhares de pessoas que ficaram do lado fora. Mas os times não entraram em campo, o juiz não apitou o inicio da partida e a bola não rolou. O que aconteceu foi uma das mais belas homenagens já vistas no mundo do futebol. No horário em que deveria começar a partida as torcidas reunidas no Atanásio Girardot, em Medelín e na Arena Condá, em Chapecó prestaram uma homenagem aos 71 mortos na queda do avião LaMia que levava a delegação da Chapecoense para a inédita disputa. A torcida colombiana chorava com os brasileiros que estavam chorando seus entes queridos vítimas do acidente aéreo.

No mundo todo aconteceram diversas manifestações, atitudes, palavras que demonstravam uma solidariedade impressionante com a dor de pessoas desconhecidas. Os brasileiros ficaram impactados com a atitude dos colombianos. A torcida, jogadores e a diretoria do Nacional pediram a CONMEBOL (entidade que comanda o futebol sul americano) que considerasse a Chapecoense campeã da competição.  Muitos diziam que estas manifestações ao redor do mundo recuperavam a esperança no ser humano. Que nós, humanos, éramos capazes de superar diferenças ideológicas, politicas, religiosas, de raça, de cor e demonstrar amor e consideração pelo próximo.

Mas será que o ser humano, que tem registrado em sua história tantas atitudes egoístas, de ódio, violência, destruição, guerra, seria capaz de espontaneamente mostrar tanta consideração, respeito e amor pelo outro? Os cristãos da família reformada calvinista entendem que o homem é mal por natureza. Não consegue por si mesmo realizar ações de bondade e amor. Precisam da ação da Graça de Deus para produzir atitudes de solidariedade e amor ao próximo. Os calvinistas chamam esta ação divina de Graça Comum. É a Graça que alcança todos os seres humanos, independentemente de cor, raça, credo, posição social. Esta Graça faz com que pessoas atendam a recomendação do apostolo Paulo de “chorar com os que choram” (Rm 12.15). As homenagens que assistimos no dia 30 de novembro foi uma grande manifestação da Graça de Deus.

Soli Deo Gloria
Rev. Ezequiel Luz

sábado, 29 de outubro de 2016

REFORMA PROTESTANTE E MODERNIDADE

Vivemos cada vez mais conscientizados acerca da nossa dor e finitude. Nossa tendência é escarparmos, a todo custo, de experiências tristes aderindo a tudo que possa proporcionar algum prazer. Mesmo com todo avanço tecnológico e material que permite administrarmos o tempo para nos dedicarmos as atividades mais prazerosas, no diluímos como pessoas, pois queremos adequar todas as nossas atividades somente àquilo que pode nos proporcionar vantagens imediatas. Zygmunt Bauman, pensador polonês de grande vigor intelectual, se refere à modernidade como “sociedade liquida”. Isto porque os valores que a cultura ocidental considerava como nobres e elevados estão se diluindo como água que se escorre das nossas mãos, sem que sejamos capazes de detê-la. A vida líquida é uma vida precária, vivida em condições de incertezas constantes. Bauman afirma que a vida moderna é uma versão perniciosa da dança das cadeiras. O prêmio nessa competição é a garantia temporária de ser excluído das fileiras dos destruídos e evitar ser jogado no lixo.

Quando estou em um shopping, supermercado, rodoviária, aeroporto ou no centro de uma grande cidade procuro, sempre que possível, visitar as livrarias. Corro meus olhos pelos livros expostos logo na entrada, que são os mais procurados, e fico perplexo. Sempre há uma boa quantidade de livros de autoajuda ao lado de livros de autores evangélicos, católicos e bíblias de estudos. Há alguns anos isso era impensável, mas hoje é um sinal do crescimento evangélico e religioso em nosso país. No entanto, diante de tanta exposição, fico me perguntado se a fé evangélica que temos hoje não é uma “fé liquida”. A maioria dos cristãos estão sempre procurando novidades no mercado religioso para evitar serem excluídas do grupo.

A Igreja Cristã tem no Pentecostes a sua certidão de nascimento. Durante o primeiro século, se manteve fiel. Sofreu muita perseguição por confessar ser Jesus o Senhor. Com a “conversão” do Imperador Constantino a igreja passou a ser a religião oficial do Império. Não foi mais perseguida, mas começou a se desviar dos ensinamentos do mestre. Na Idade Média a salvação era comercializada para arrecadar fundos para a construção da basílica de São Pedro. As doutrinas e práticas originais foram se modificando e se afastando sensivelmente da Bíblia.

Muitas vozes se levantaram clamando por uma reforma na Igreja. Homens como João Huss, e tantos outros, foram mortos por defenderem seus ideais de conduta e fé. Dizem que no cárcere, sentenciado pelo papa para ser queimado vivo, João Huss disse: "Podem matar o ganso (huss em alemão é ganso), mas daqui a cem anos, Deus suscitará um cisne que não poderão queimar". João Huss morreu em 1415. Aproximadamente cem anos depois surge o cisne, um monge agostiniano chamado Lutero, preocupado com o problema da salvação. Durante anos seguidos, estuda a Bíblia e descobre na carta de Paulo aos Romanos, que a salvação é através da fé em Jesus Cristo. Tradicionalmente, 3l de outubro de 1517 é aceita como a data do nascimento do movimento reformador. Neste dia Martinho Lutero afixou as noventa e cinco teses nas portas da Catedral de Wittemberg. Suas ideias se espalharam rapidamente como fogo em palheiro. Provocaram mudanças profundas na igreja e na cultura ocidental.

Neste ano a Reforma Protestante completará 499 anos. Ao comemorar a data precisamos reafirmar os ensinos do movimento reformista. A época que vivemos, chamada por alguns de pós-modernidade, e por Bauman “sociedade liquida”, possui algumas características. As mais aparentes são a falta de disposição para assumir compromissos, não se fixar a uma relação afetiva, a uma ideologia política, a um grupo de interesse, a uma instituição religiosa. Estas são algumas posturas contemporâneas. A adesão a fé é meramente mercantil e interesseira. A frequência às reuniões da igreja é estimulada pelo desejo de obter sucesso profissional, prosperidade, cura física e emocional. Não importa o conteúdo dessa fé, ela tem que produzir resultados imediatos.

O mundo moderno e a igreja de nossos dias precisam de pessoas como Lutero. Pessoas, que possuídas por uma fé genuína, acreditam, ousam, pensam e amam a Deus acima de qualquer coisa. Reformadores conectados com um mundo em constantes mudanças e que não têm preguiça de ler e estudar com seriedade, de ir além, de questionar seu tempo e confrontá-lo com as Escrituras. Pessoas fiéis a Jesus e verdadeiramente transformadas pelo Espírito Santo. Pessoas conscientes da atualidade, da urgência e da necessidade do poder transformador do evangelho.

Hoje, ao comemorarmos mais um ano da reforma, minha oração é que o mesmo Espírito Santo que agiu na vida de Lutero e o levou a influenciar com o evangelho a sua geração, venha sobre nós também, levando-nos a reformar a fé cristã de nossos dias. Amém!

Soli Deo Gloria
Rev. Ezequiel Luz

sábado, 31 de outubro de 2015

EVANGELHO DA REFORMA

“O justo viverá pela fé” (Rm 1.17)

Para os cristãos protestantes e reformados, a celebração do dia 31 de outubro é, sem dúvida, uma das mais importantes. Neste ano, a data celebra 498 anos da Reforma Protestante do Século XVI.

A Igreja Cristã, durante o primeiro século, se manteve fiel. Sofreu muita perseguição por confessar ser Jesus o Senhor. Com a “conversão” do Imperador Constantino a igreja passou a ser a religião oficial do Império. Não foi mais perseguida, mas começou a se desviar dos ensinamentos do mestre. Na Idade Média a salvação era comercializada para arrecadar fundos para a construção da basílica de São Pedro. Foi então que na Alemanha, um frei chamado Martinho Lutero, no dia 31 de outubro de 1517, fixou 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg. O fundamento para suas teses era a descoberta da justificação pela fé e não pela compra das indulgências. Foi o estopim para que toda a Europa fosse incendiada pelas ideias da reforma.  Lutero foi excomungado e pagou o preço da defesa do evangelho da reforma.

Olhando para a história, aprendemos a orar pelo tipo de pessoas que precisamos na Igreja de hoje. Precisamos de homens e mulheres como Paulo e Lutero, dispostos a arriscar suas próprias vidas para defender a verdade. Outra razão para voltar nossos olhos para a história é que através dela entendemos como Deus realiza avivamentos. A leitura da vida de homens que foram usados por Deus no passado nos traz esperança.

Na sociedade pós-moderna e pluralista em que vivemos, o evangelho foi transformado em mercadoria de consumo que se adapta ao gosto do cliente. O resultado deste "evangelho" superficial é uma geração de crentes carnais que nada sabem do temor de Deus. Precisamos hoje daquele evangelho que levou multidões ao quebrantamento, do evangelho da graça e da soberania de Deus.

Somos salvos pela graça de Deus. Este é o evangelho de Jesus Cristo. A igreja de hoje precisa buscar em Deus ousadia para defender e viver o evangelho tal qual nos foi pregado no passado. A igreja de hoje precisa de homens e mulheres de coragem que defendam o evangelho de Jesus, evangelho da Reforma.

Soli Deo Gloria
Rev. Ezequiel Luz


sexta-feira, 25 de setembro de 2015

REDE SUSTENTABILIDADE: ESPERANÇA RENASCIDA

O remédio para neutralizar as conseqüências de quem foi picado por uma cobra é extraído do próprio veneno da cobra. Vital Brasil foi quem desenvolveu o soro antiofídico usado hoje em todo mundo. Ele descobriu que cada veneno produzia um soro especifico capaz de neutralizar somente aquele veneno que causou o acidente.

A política brasileira há muito tempo foi contaminada pelo veneno da corrupção, da sede pelo poder a qualquer custo, da ganância. Está doente, agonizada e precisa urgentemente de um soro produzido pela própria política brasileira para neutralizar os efeitos maléficos que há anos afeta nosso povo.

No dia 22 de setembro o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), finalmente, aprovou o registro da REDE SUSTENTABILIDADE. Todos que lerem o “MANIFESTO”, que deu origem ao partido, perceberão que ele surge do próprio meio político brasileiro e se apresenta como um soro antiofídico capaz de neutralizar o veneno presente na atual política brasileira. A esperança renasce com força suficiente para vencer a política venenosa de nossos dias.

Nossas mãos se juntam em gratidão a todos que trabalharam arduamente e não se abateram após o dia 3 de outubro de 2013, quando o TSE negou o registro ao partido. Nossas mãos se juntam em uma prece de gratidão ao Eterno e ao mesmo tempo de suplica, para que todos os integrantes da REDE tenham sabedoria do alto e força suficiente para não se contaminarem com o “modus operandi” da política velha.

Agora com a esperança renascida, vamos à luta por um Brasil mais justo, mais fraterno, mais solidário com redução das desigualdades sociais, com desenvolvimento sustentável e com ações embasadas na ética.

Rev. Ezequiel Luz

Pastor da IPI do Brasil
Dourados, MS

sexta-feira, 3 de julho de 2015

SOCIEDADE “CAIMILIZADA”

Disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso sou eu tutor de meu irmão?”(Gn 4.9)

Ouvi, há algum tempo atrás, o relato de um senhor, membro de igreja protestante, que quando jovem universitário passou algumas semanas com moradores de rua, dormindo na praça, em maloca ou debaixo de ponte como parte da pesquisa de campo do seu trabalho de conclusão de curso.

Ele conta que andando no centro velho de São Paulo um menino tentou roubar a bolsa de sua namorada, mas sem êxito. O menino correu e ele foi atrás. Alcançando-o disse: “Calma! Ninguém vai te fazer mal. Só queremos conversar com você”. Sua namorada se aproximou e perguntou: “Por que você tentou me roubar?”. “Estou com fome”, respondeu. “Por que não me pediu comida?” “Estou pedindo desde cedo e ninguém me dá!”. Levaram o menino a um restaurante e descobriram que tinha 10 anos, nunca soube quem era seu pai e que sua mãe, seus tios eram alcoólatras e não ligavam para ele.

O casal, não podendo adotá-lo, mas movido por amor e solidariedade o encaminhou a uma instituição mantida pela igreja. Ele foi recebido com muito amor e carinho. Depois de constatarem que os parentes não tinham interesse nem condições de educa-lo, conseguiram autorização judicial para amparar o menino. Ele concluiu os estudos, formou-se em teologia e foi ordenado pastor. Muito tempo depois os dois se encontraram em um evento da igreja.

Lembrei-me desse relato diante das discussões sobre a redução da maioridade penal. Nossa sociedade está cada vez mais “caimilizada”.  É como se dissemos: “acaso sou tutor de crianças abandonadas”. O que seria do menino do relato acima se não fosse amparado? O que seria de adolescentes de 15, 16, 17 anos que hoje assaltam, matam, estupram se quando crianças fossem amparadas com amor? Quantos deles estariam no crime? Se a redução da maioridade penal for aprovada é um indicativo de que falhamos no papel de tutor e na responsabilidade de educar crianças e adolescentes.

Não podemos ser colocados em trincheiras contra ou a favor da redução da maioridade penal. Mas, arrependidos deveríamos confessar nossa falha e unidos levantar a bandeira do amor, da solidariedade e da justiça social. Valores e princípios do evangelho de Jesus Cristo.

Soli Deo Gloria

Rev. Ezequiel Luz